Lobo de Rizzo: um escritório mais de clientes do que de projetos

30 . agosto . 2017 |

Lobo de Rizzo foi destaque no Lexis 360, ferramenta voltada aos profissionais do Direito. Leia o perfil do escritório publicado no site:

Lobo de Rizzo: um escritório mais de clientes do que de projetos

Resiliência e paciência nas negociações pautam os advogados do escritório

Por Paula Dume

Investir no relacionamento com clientes é o lema do Lobo de Rizzo Advogados, escritório fundado em maio de 2007 por um grupo de sócios do Lefosse Advogados que tinha visões de estratégia diferentes. À época, o Lefosse era próximo ao Linklaters, escritório com sede no Reino Unido e presente em 20 países, incluindo o Brasil.

“Queríamos ser desconectados de qualquer relação exclusiva com um escritório estrangeiro e investir no mercado local, embora boa parte de nossos clientes fosse composta por multinacionais”, conta Rodrigo Delboni Teixeira, sócio do Lobo de Rizzo desde a fundação.

O Lobo de Rizzo está focado na relação de longo prazo com os clientes. “Somos muito mais um escritório de ‘clientes’ do que de ‘projetos’”, frisa Rodrigo. Ele aponta que o escritório faz diversas operações de M&A para os mesmos clientes, possuindo um alto nível de retenção. A filosofia é estabelecer um relacionamento próximo e de longo prazo com o cliente, que cada vez mais tem pressa e urgência. Portanto, se o cliente não é bem atendido em uma área, os sócios podem perdê-lo. O escritório é reconhecido pela resiliência e paciência nas negociações, segundo Otávio Lucas Solano Valério, sócio das áreas de M&A e Societário, desde 2014.

Para tanto, os advogados precisam “ler” o cliente para entender seu perfil, uma interpretação mais sutil do que jurídica, de acordo com Rodrigo. “O jurídico será sempre a ferramenta para atendermos aos anseios dele [cliente]”, destaca o sócio. Porém, cabe aos advogados, por exemplo, preparar o cliente para compreender que, mesmo após uma longa negociação, a operação pode não prosseguir.

M&A no Lobo de Rizzo

Em 2007, o escritório contava com 33 advogados, sendo praticamente 75% deles da área de M&A. Hoje, dez anos depois, a área representa um pouco menos de 50% do Lobo de Rizzo tanto no número de pessoas quanto no de faturamento, mas continua sendo importante fonte de trabalho para as demais áreas. Como surgiu com uma área de M&A avolumada, o escritório aumentou proporcionalmente outras áreas que dão suporte a ela, e várias delas hoje são autônomas. “Ao longo dos anos, ampliamos as áreas tributária, contenciosa e trabalhista. Nascemos com essas áreas, mas elas ganharam cada vez mais relevância”, justifica Rodrigo. Atualmente, a área tributária é um exemplo de área que cresceu e se tornou autônoma.

Desde a fundação, as mudanças são perceptíveis: “Vinte anos atrás, o trabalho de um escritório grande era majoritariamente advogar para multinacionais no Brasil”, recorda Rodrigo. Há pouco mais de dez anos, isso começou a mudar, e grandes empresas brasileiras e fundos de private equity brasileiros foram formados.

Outra mudança visível é a implementação dos data rooms virtuais. De acordo com Otávio, antigamente uma equipe de advogados se deslocava até o local da operação para acompanhar o processo in loco, o que não acontece mais hoje em dia. Com acesso a documentos digitalizados, os processos também foram otimizados. Otávio explica que, no começo de 2000, uma transação durava oito ou nove meses para ser finalizada. Hoje, não passa de 90 dias.

Os sócios lembram também que as propostas de honorários de M&A eram maiores. “A relação homem/hora no trabalho era diferente e se precisava de mais homens/hora. Hoje não haveria sequer espaço para uma proposta daquele tamanho, porque o mercado não comporta mais”, detalha Rodrigo.

Futuro de M&A no Brasil

O escritório aposta que a tendência será fazer operações de M&A cada vez mais complexas e com múltiplas jurisdições no futuro. Um grande volume de transações na área de tecnologia também é esperado, além de uma boa perspectiva para retomada de investimentos em infraestrutura em médio prazo e realização de operações de M&A a ela relacionadas.

“Acreditamos também que habilidades de project management, organização e utilização em larga escala de tecnologia farão a diferença entre os escritórios de advocacia na condução de due diligences e dos deals, tornando-os mais rápidos”, estima Corine Moura, responsável pela área de marketing do Lobo de Rizzo. O que vai mudar é o impacto da tecnologia no negócio, comentam os sócios. Segundo eles, os M&As serão um pouco mais iguais, com uma documentação nivelada, variando pouco de transação para transação, exceto naquilo que é específico para cada operação.

Rodrigo acredita que o advogado ficará centrado na inteligência da negociação e na preparação da empresa a ser vendida. Esse fator vai delimitar o próprio número de advogados no mercado, porque uma parte do trabalho repetitivo será eliminado com a tecnologia e a inteligência artificial.

Estrutura do escritório

Desde o início de suas atividades, o Lobo de Rizzo é um escritório institucional. Não interessa quem trouxe o cliente e de qual área veio, os sócios dividem tudo conforme as partes que cada um possui. “Isso, na verdade, nos incentiva a ser um escritório de clientes”, justifica Rodrigo. Os sócios consideram que estão “building partnerships”, porque buscam reter o cliente em todas as áreas e não só na de M&A.

Outra característica do escritório é não ter uma relação entre o número de sócios e o de associados tão alta quanto a média dos escritórios. Por conta disso, eles desempenham um trabalho mais sênior do que a média do mercado, centrado em qualidade e em relacionamento. Agregam presença e qualidade, na medida em que não “juniorizam” o serviço prestado.

O plano de carreira interna dos associados desincentiva a disputa excessiva por trabalho. A estrutura de divisão dos honorários é igualitária e ninguém ganha a mais porque trabalha o dobro. O intuito é incentivar o advogado para que ele progrida na carreira.

A governança é baseada em um voto por cabeça entre os sócios. Para eles, não tem nome nem posição financeira que valha mais. Decisão tomada é decisão cumprida. “Não somos um escritório de dono, mas de sócios. Somos todos sócios com o mesmo poder de voto e não importa se alguém é sócio há 10 anos ou acabou de entrar”, esclarece Rodrigo.

Fonte: Lexis 360


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