Prazos das emissões ficam mais longos

12 . julho . 2019 |

O sócio-gestor Fabrizio Sasdelli, de Mercados Financeiro e de Capitais, participou de matéria do Valor Econômico para comentar o mercado de dívida nas operações de fusões e aquisições. Leia o conteúdo completo:

Prazos das emissões ficam mais longos

O mercado de dívida brasileiro está ganhando cada vez mais profundidade em termos principalmente de prazo das operações. Dados da Anbima mostram que, no primeiro semestre de 2018, as emissões com prazos de até três anos respondiam por 36,4% do total. No mesmo período deste ano, esse percentual caiu para 15,8%. Em contrapartida, a participação das emissões com prazos de sete a nove anos subiu de 11,2% para 23,5%. Também houve alta naquelas de quatro a seis anos, que passaram de 39,3% para 48% do total.

Esse alongamento dos prazos é destacado pelos analistas como o principal fator de consolidação de mercado de dívida doméstico. Somado a isso, a queda dos juros leva à diminuição dos custos para as empresas captarem por aqui. Por conta disso, nos últimos meses algumas empresas que sempre acessavam somente o mercado internacional passaram a trocar a dívida externa por outra, mais barata, captada aqui

Felipe Wilberg, diretor de mercado de capitais de dívida do Itaú BBA, avalia que o mercado doméstico ganhou mais operações, com novas empresas e novos formatos indo a mercado e encontrando demanda. Dessa forma, o local se consolida, tirando um pouco do espaço do mercado internacional. “Durante muitos anos, os prazos de captação no mercado local não passavam de cinco anos. Agora vemos operações ultrapassarem os dez.”

Segundo o executivo do Itaú BBA, nos níveis atuais de taxa de juros, acessar o mercado internacional vai fazer sentido só para empresas que têm exposição a moedas ou para quem quer acessar recursos a prazos mais longos, como 30 anos, opção que ainda não existe aqui – apesar de algumas debêntures de infraestrutura terem alcançado prazos ao redor de 20 anos, como Equatorial e Taesa.

Advogados destacam que o mercado de dívida tende a ganhar cada vez mais espaço nas operações de fusões e aquisições. “O mercado local está ficando mais complexo e se transformando numa opção, já que as captações podem aumentar de prazo e tamanho”, afirma o sócio do escritório Lobo de Rizzo, Fabrizio Sasdelli.

Outro advogado ouvido pela reportagem avalia que a consolidação do mercado doméstico de dívida é relevante porque pode se transformar numa saída para empresas baixarem seus custos nas operações de fusões e aquisições. Ele explica que quando está numa negociação dessas, a empresa precisa comprovar que tem acesso a funding rápido. “Então, o natural será ela fechar um empréstimo com um sindicato de bancos, por exemplo. Mas se há um mercado forte aqui, uma vez fechada a transação, ela passa a ter a oportunidade de emitir uma debênture para pagar esse empréstimo bancário e baratear seus custos”, afirma.

Sasdelli trabalhou numa das principais operações fechadas no primeiro semestre, a venda da Transportadora Associada de Gás (TAG) pela Petrobras para um consórcio formado pelo grupo francês Engie e o fundo canadense Caisse de Dépôt et Placement du Québec (CDPQ), avaliada em R$ 35 bilhões. Para financiar a operação, houve um empréstimos de um sindicato de bancos – e também uma emissão de debêntures no mercado doméstico. A operação passou pelo susto de, às vésperas das conclusões de seu funding, se deparar com liminar do ministro do STF Edson Fachin suspendendo o negócio por falta de licitação. A liminar caiu depois. Segundo Sasdelli, parte do trabalho nessa operação foi tranquilizar os envolvidos sobre a sua viabilidade legal.

Fonte: Valor Econômico


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