(Português) O Globo: sócios de Mercados Financeiro e de Capitais falam sobre captação de empresas no exterior

7 . February . 2018 |

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Os sócios-gestores Fabrizio Sasdelli e Milton Pinatti, de Mercados Financeiro e de Capitais, participaram da matéria “Empresas brasileiras captam US$ 8,4 bilhões em janeiro”, publicada nesta quarta (7), no jornal O Globo. Leia o conteúdo completo:

Empresas brasileiras captam US$ 8,4 bilhões em janeiro
Objetivo é aproveitar juro baixo e evitar que a proximidade das eleições amplie as incertezas sobre o país

por Ana Paula Ribeiro / João Sorima Neto

SÃO PAULO – As empresas brasileiras estão correndo para buscar recursos no exterior antes que a proximidade das eleições amplie as incertezas sobre o país e afaste os investidores. Apenas em janeiro as emissões lá fora somaram US$ 8,4 bilhões, valor 42% superior ao do mesmo mês de 2017. As companhias estão se beneficiando da grande oferta de recursos no exterior à procura de retornos mais atraentes, em um cenário de juros ainda baixos lá fora. O risco, segundo analistas ouvidos pelo GLOBO, é que ocorra uma aceleração mais brusca na elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) — expectativa reforçada por dados de emprego melhores que o esperado —, o que atrairia recursos hoje aplicados em países emergentes, como o Brasil. O susto nas Bolsas de Valores mundiais, na segunda-feira, foi um sinal de alerta desse risco, embora tenha sido interpretado como um evento isolado.

— Por enquanto, não deve existir mudança nesse movimento de captações de empresas brasileiras no exterior. Mesmo que os juros subam mais do que o esperado nos EUA, as taxas que as companhias brasileiras estão pagando em dólar (de 5% a 6% ao ano) ainda são muito interessantes. Mantém-se um cenário de liquidez enorme com baixos retornos — diz o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, descartando que companhias que estavam preparando emissões no exterior desistam por causa do susto nas Bolsas.

O risco de mudança nesse cenário existe, observa o analista, se essa volatilidade persistir por um período mais longo, e os investidores perderem a referência de preços e passarem a demandar taxas de juros muito elevadas.

— O investidor não gosta de volatilidade porque ela aumenta o risco da operação — concorda o executivo de um grande banco.

‘CENÁRIO POLÍTICO SERÁ DECISIVO’

Para Jorge Mariscal, diretor de Investimentos de Mercados Emergentes do UBS, o risco de o Fed elevar os juros rapidamente, a ponto de desencadear uma recessão nos EUA, é muito baixo nos próximos dois anos. Mas, diz, se a velocidade da alta dos juros surpreender o mercado, isso poderia atrasar ou até adiar os planos de algumas empresas.

Para Felipe Wilberg, diretor de Mercado de Dívida do Itaú BBA, além de uma antecipação ao período eleitoral, a perspectiva de melhora da economia brasileira, taxas de juros ainda baixas no mercado externo e a disposição de fundos de investimento de investirem em países emergentes explicam a movimentação das empresas em janeiro:

— Vamos ver um ano mais curto em 2018, com eleições e Copa, e temos uma perspectiva de economia melhor no Brasil, além de taxas ainda convidativas. Tudo isso levou as empresas ao mercado.

Se nada mudar, o movimento de busca por recursos no exterior deve se estender até abril, pelo menos. Depois, tudo dependerá do cenário eleitoral e da definição dos candidatos à Presidência. Se as pesquisas eleitorais apontarem chance de vitória de um candidato antirreformas, a volatilidade nos mercados financeiros vai aumentar, reduzindo a chance para esse tipo de operação.

Segundo Fabrizio Sasdelli e Milton Pinatti Ferreira de Souza, sócios de Mercados Financeiro e de Capitais do escritório Lobo de Rizzo Advogados, muitas empresas estão aproveitando a janela de captações para fazer caixa e ter mais segurança para enfrentar a tempestade eleitoral. Outras vão investir de olho na retomada da economia. Para eles, “o cenário político será decisivo”.

Por enquanto, nem mesmo o rebaixamento da nota de crédito do país pela agência Standard & Poor’s (S&P), no início de janeiro, afastou o interesse pelos títulos de empresas nacionais.

— A janela de captação do início de ano é sempre mais ativa. Mas o que vemos é uma antecipação. As empresas querem evitar uma maior volatilidade que virá do front político — diz Guilherme Silveira, da área de mercado de capitais do Santander.

Alexei Remizov, responsável pela área de mercado de capitais do HSBC em Nova York, acredita que a volatilidade pode elevar um pouco o custo para as empresas, mas não fechar completamente as portas. Segundo ele, “apenas os parâmetros de preço podem mudar”.

Além da incerteza, há uma peculiaridade técnica por trás da intensificação das captações. Os dados contábeis precisam estar atualizados e, até meados de fevereiro, será possível usar os balanços do terceiro trimestre. Depois, esse mercado dá uma esfriada e retorna por volta de março/abril, período em que o mercado já estará suscetível às eleições. Mesmo assim, a expectativa é que o desempenho no ano fique próximo aos US$ 31,175 bilhões de 2017.

MAIS RECURSOS E TROCA DE DÍVIDA CARA

Prova do apetite por ativos de maior risco é que até empresas brasileiras que nunca emitiram estão captando. Caso de Natura, Rede D’Or e Hidrovias do Brasil, que se somaram a emissores tradicionais como Petrobras e Vale. A Natura captou US$ 1,15 bilhão por um prazo de cinco anos. A meta era de US$ 750 milhões, mas a demanda atingiu US$ 3 bilhões, por isso o valor foi elevado. A taxa de retorno ao investidor ficou em 5,37% ao ano. Os recursos, serão utilizados para o pagamento da aquisição da Body Shop.

Já a Hidrovias do Brasil, que atua na área de logística, com presença na América Latina, emitiu bônus no valor de US$ 600 milhões, com vencimento em sete anos e taxa de 5,95%. A demanda surpreendeu: sete vezes a inicial.

A maior parte das empresas busca recursos externos para melhorar o perfil de dívida, dizem os analistas. Com juros mais baixos aqui e lá fora, as taxas da emissões têm ficado, na média, abaixo dos anos anteriores. Por isso, as companhias recompram os bônus antigos e os substituem por papéis de prazo mais longo e juros mais baixos.

Foi o que fez a JBS, por meio de sua subsidiária JBS USA, que captou US$ 900 milhões na semana passada, com taxa de 6,75% e vencimento em 2028. Além de necessidades de caixa, o dinheiro foi usado no resgate integral de notas que venciam em 2020, com juros de 8,25%.

O estrategista-chefe do banco Mizuho no Brasil, Luciano Rostagno, cita ainda o fato de o risco-país do Brasil continuar baixo. O credit default swap (CDS, espécie de seguro contra calote) está hoje em torno de 157 pontos centesimais. Logo após o rebaixamento pela S&P, foi a 250 pontos.

Até o Tesouro Nacional aproveitou o clima — e uma semana depois do rebaixamento. A CSN deve definir hoje se prossegue com sua captação, que, segundo fontes, deve movimentar US$ 1 bilhão. O mercado especula ainda que Braskem e Caixa Econômica Federal podem engrossar o movimento.

Fonte: O Globo.


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