(Português) Marilda Rosado comenta o setor petroquímico em matéria do O Globo

22 . September . 2016 |

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Nossa consultora de Energia, Óleo e Gás, Marilda Rosado de Sá Ribeiro, falou sobre o atual panorama do setor petroquímico em matéria publicada hoje (22) no jornal O Globo. Leia o conteúdo completo:

 

Petroleiras e fundos de olho na Braskem

Fatia da Petrobras é avaliada em US$ 2,5 bilhões. Petroquímica controla 100% de produtos básicos do setor

Do plano de venda de ativos da Petrobras para os próximos dois anos, a participação da estatal no setor petroquímico é uma das mais fáceis de sair do papel, dizem especialistas e fontes do setor. Com posição importante no segmento, a fatia da estatal na Braskem — companhia que controla parte da cadeia da produção de plástico e resinas — é alvo de interesse de petroleiras e fundos de investimentos. Relatório do banco BTG Pactual estima que os 47% da petroleira na Braskem valem US$ 2,5 bilhões. Considerando as demais participações da estatal no setor, os ativos petroquímicos são avaliados em US$ 3,2 bilhões.

A indústria petroquímica é a responsável por fabricar matérias-primas, como plásticos e resinas, usados nos mais diversos produtos. Segundo especialistas, a saída da Petrobras do setor petroquímico é vista com ressalvas. Há quem acredite que, sem a estatal, as compras das matérias-primas poderiam ser feitas diretamente do exterior, afetando a indústria nacional. Outros lembram que o país precisa de empresas fortes e que a indústria é hoje extremamente competitiva.

Na terça-feira, a Petrobras anunciou a intenção de vender US$ 19,5 bilhões em ativos entre 2017 e 2018. A companhia ressaltou que pretende sair dos setores de petroquímica, fertilizantes, biocombustíveis, distribuição de gás de botijão e ainda buscar sócios para suas refinarias. Ontem, o presidente da estatal, Pedro Parente, e diretores iniciaram uma série de apresentações do plano a empresários em eventos na Firjan e no Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP).

Segundo especialistas, há diversos interessados em comprar a fatia da Petrobras na Braskem, empresa controlada pela Odebrecht, com 50,1%. A empresa, maior companhia do setor nas Américas, controla 100% dos produtos básicos (primeira geração) e 70% da segunda geração (que geram as matérias-primas para a fabricação de embalagens, brinquedos e pneus).

— O Brasil é o sexto maior mercado do mundo e é atraente. A indústria nacional viu sua produção crescer nos últimos 12 meses, tomando o lugar dos importados e elevando exportações — disse o presidente executivo da Abiquim, Fernando Figueiredo.

João Zuneda, sócio-diretor da consultoria Maxiquim, lembra que o setor petroquímico vive um momento de boas margens, oriundas da queda do preço do petróleo do mercado internacional e do recuo do valor do gás, com a produção do shale gas (gás não convencional) em países como os Estados Unidos:

— O setor atravessa um bom momento. Mas a Petrobras precisa de caixa e, por isso, quer sair do negócio desde o ano passado. Há empresas interessadas, como petroleiras e fundos de investimento. É preciso ter regras estáveis. A Petrobras vem sendo alvo de ciclos curtos, com a saída do setor no governo Fernando Henrique, a volta no governo Lula, e, agora, uma nova saída. Os ciclos precisam ser de longo prazo.

Por isso, segundo fontes, a Braskem precisa passar por mudanças em sua gestão para se tornar mais valiosa para novos investidores. Uma outra fonte não descarta a saída da Odebrecht da companhia como forma de fazer caixa num momento em que é alvo da Operação Lava-Jato.

— São dois aspectos a considerar: a Odebrecht, no meio da operação que investiga corrupção, e a falta de recursos da Petrobras — destacou uma fonte

Segundo o consultor Otavio Carvalho, uma eventual saída da Petrobras do setor petroquímico não é algo preocupante para a indústria nacional:

— É algo positivo. A saída da Petrobras pode ser relativizada porque ela vai continuar sendo a fornecedora de matéria-prima para a petroquímica, seja com gás natural ou nafta. Hoje, 40% do consumo de nafta da Braskem vêm de refinarias da Petrobras, que ainda importa outros 30% de nafta para a Braskem.

Já Haroldo Lima, ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo, avalia que entregar o setor a grupos privados pode afetar a indústria nacional:

— Eles podem comprar produtos no exterior, afetando produtores locais. A saída da Petrobras do setor é um risco.

 

ETANOL E FERTILIZANTES

A companhia já está em processo de venda do Petroquímica Suape. Em julho, assinou acordo de exclusividade com a mexicana Alpek. Já no caso das usinas de etanol, diz uma fonte, a Petrobras conversa com seus parceiros (Turdos, Tereos e Nova Fronteira Bionergia) desde o ano passado para vender as nove usinas de etanol no Brasil. A Petrobras ainda é acionista das empresas Nova Fronteira e Guarani. Estas fatias devem ser vendidas. Mas, para especialistas, enquanto não for definida a política de preços para os combustíveis, como gasolina, será difícil obter comprador.

Segundo Marcio Perin, analista de mercado da FNP, o setor sofre com o controle dos preços dos combustíveis pela Petrobras e por quebras de safra, levando várias usinas a entrar com pedido de falência.

— A Petrobras está entre as cinco maiores produtoras, mas, por não ter posição de controle nas usinas, a venda é um desafio.

O setor de fertilizantes, onde a Petrobras é maior produtora de país, pode enfrentar entraves. Sem definir a política do uso do gás, a estatal dificilmente vai conseguir comprador para as três fábricas. Isso porque o gás é insumo para os fertilizantes, e há indefinições sobre o transporte do gás e o volume no pré-sal.

— Falta estratégia ao mercado de gás. Tudo está verticalizado, dos dutos às empresas estaduais de gás canalizado. É preciso definir a modelagem de venda — disse Marilda Rosado, consultora do Lobo & de Rizzo Advogados.

Parente disse ontem que espera receber em breve propostas de interessados na compra do fatia na BR Distribuidora, que teria gestão compartilhada.


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